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Vazamentos de dados aprimoram golpes online e intensificam atuação da polícia.

Autoridades fortalecem investigações sobre o cibercrime e conseguem prender suspeitos; por outro lado, especialistas alertam para os riscos da exposição de informações.

 

Casos recentes de grandes vazamentos de dados, que expuseram informações de centenas de milhões de brasileiros, acendem um alerta ainda maior para a sofisticação de golpes virtuais. Munidos de mais informações valiosas sobre pessoas e empresas, cibercriminosos estão aprimorando os crimes digitais. Ao mesmo tempo, a polícia tem intensificado sua atuação e vem fechando o cerco contra crimes digitais. No entanto, especialistas alertam: todo cuidado é pouco.

Marco DeMello, CEO da PSafe, empresa de segurança digital que detectou dois megavazamentos recentes, classifica o momento atual como “pandemia digital”. “Cada colaborador remoto se transforma em um ponto a mais de vulnerabilidade”, disse, ao Valor Econômico, em referência ao crescimento do trabalho no modelo home office em meio ao isolamento social na pandemia.

Essas informações que circulam em fóruns criminosos na internet ajudam a criar táticas ainda mais convincentes para enganar usuários e fazer novas vítimas. “Antes a abordagem era genérica, mas hoje vem com nome completo e CPF”, lembra Alexandre Bonatti, diretor de engenharia da Fortinet, fornecedora de tecnologias de cibersegurança, também ao Valor. “A probabilidade de uma pessoa cair num golpe desses, mesmo informada, é muito maior”, ressalta.

A empresa de segurança cibernética Cipher alerta que os vazamentos de dados estimulam a criação de práticas novas e mais convincentes de abordagem às vítimas de crimes digitais. Por exemplo, basta um endereço de e-mail e uma combinação de senhas para que um cibercriminoso entre na conta de um cliente de e-commerce, abrindo uma porta para o acesso a outros dados. Na pior das hipóteses, os dados são fornecidos pelo próprio usuário, enganado por alguém que tem parte das informações necessárias e faz contato direto, se passando por atendente de uma loja virtual, ou operadora de cartão, por exemplo.

Outra preocupação é o surgimento de sites que prometem revelar a interessados se seus dados estão disponíveis no “mercado” digital. E, mais uma vez, internautas podem cometer o erro de informar nome completo, números de documentos e outros elementos que serão usados para novos golpes.

Na última semana, a Polícia Federal prendeu em Uberlândia (MG) o homem suspeito de ser o responsável pelo maior vazamento de dados já registrado no Brasil. As investigações apuraram que, em janeiro, milhões de dados sigilosos de pessoas físicas e jurídicas -como CPF e CNPJ, nome completo e endereço- foram ilicitamente disponibilizados. Foram colocados à venda, em fóruns na dark web (área oculta na internet onde cibercriminosos acessam de forma anônima para a prática de crimes digitais), mais de 223 milhões de CPFs, além de informações detalhadas como nomes, endereços, renda, imposto de renda, fotos, beneficiários do Bolsa Família e scores de crédito.

A PF informou que foi identificado o suspeito pela prática dos delitos de obtenção, divulgação e comercialização dos dados, bem como um segundo hacker, que estaria vendendo os dados por meio das redes sociais. A PF informou também que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva nos municípios de Petrolina (PE).

Outra ação coordenada pelo poder público é a Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCIBER). Criada em outubro do ano passado como parte da estrutura do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil do Estado de São Paulo, a unidade também iniciou inquérito para apurar o megavazamento. Segundo o delegado Carlos Ruiz, responsável pela 3ª Delegacia de Polícia sobre Violação de Dispositivos Eletrônicos e Redes de Dados da DCCIBER, atualmente estão sendo investigados mais de 700 casos de crime organizado operando em meios digitais. Um dos principais ataques, segundo o delegado, são os casos de ransomware, o chamado sequestro de dados, quando hackers bloqueiam o acesso da vítima ao computador, exigindo pagamento de um “resgate” para liberar o acesso. “Recebemos de três a quatro ocorrências mensais”, informa.

PERIGO CONSTANTE

Apesar da prisão dos responsáveis e do aumento das investigações por parte das autoridades, infelizmente os riscos ainda estão correndo no mundo digital. O principal cuidado, segundo especialistas em cibersegurança, é com a chamada engenharia social, técnica usada por criminosos para induzir o usuário a fornecer informações confidenciais. A Febraban ressalta que as quadrilhas têm se especializado nesse tipo de ação baseada na captura de dados pessoais, após conquistar a confiança de clientes desavisados.

Neste tipo de ataque, os criminosos abusam da ingenuidade ou confiança do usuário para obter informações que podem ser usadas para que tenham acesso não autorizado a computadores ou informações bancárias. “Hoje, 70% dos golpes feitos no mundo digital estão relacionados a engenharia social”, informa Adriano Volpini, diretor da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Febraban.

Fernando Amatte, diretor de Red Team Services da Cipher, recomenda que é preciso desconfiar de telefonemas suspeitos, prestar atenção a ligações de números desconhecidos e se recusar a divulgar qualquer tipo de informação pessoal sem ter certeza de que se trata de um contato confiável. O especialista alerta também para o cuidado com postagens em redes sociais. “Uma imagem que conste nome, número de documento ou outro dado relevante, pode ser o primeiro passo para um hacker chegar a alguém.”

Outra orientação de Amatte para minimizar os riscos é não divulgar dados em sites não verificados ou conversar com pessoas que ligam de números desconhecidos ou identificados como spam. “Em caso de dúvida, é melhor ‘derrubar’ a ligação e acionar os números oficiais das instituições financeiras, operadoras de serviços ou lojas virtuais. Mudar senhas frequentemente, diversificar chaves e utilizar autenticação em dois níveis também estão entre as principais iniciativas que ajudam a combater fraudes virtuais”, diz Amatte.

Para o pesquisador de segurança Daniel Barbosa, da empresa de cibersegurança Eset, os últimos incidentes servem de alerta e reflexão sobre o papel tanto das empresas como dos órgãos de fiscalização nesses tipos de casos. Ele comenta que é de se esperar que os casos de vazamentos de dados ganhem destaque na imprensa, principalmente após a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrar em vigor, mas não podemos esquecer que esses tipos de incidentes exigem o acompanhamento e ações efetivas por parte dos órgãos de fiscalização, como é o caso da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), autarquia criada para fiscalizar e regulamentar a lei de proteção de dados. “É fundamental que as empresas e serviços possam efetivamente garantir a segurança dos dados fornecidos pelos clientes, cumprindo com as determinações da LGPD que devem ser fiscalizadas por tais órgãos”, enfatiza Barbosa.

Em vigor desde setembro do ano passado, a LGPD é mais um elemento que busca trazer maior proteção aos usuários na internet. A partir de agosto deste ano, as sanções previstas na LGPD poderão ser aplicadas pela ANPD, incluindo multas de até R$ 50 milhões.

Como parte da estruturação da sua atuação, a ANPD assinou nesta semana um acordo de cooperação técnica com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança, para proteger os dados do consumidor no Brasil. Por meio desse acordo, as duas entidades pretendem alinhar esforços e reforçar as fiscalizações, de forma a evitar incidentes como vazamento de dados. “Tanto a ANPD quanto a Senacon buscarão a uniformização de entendimentos e uma atuação coordenada no endereçamento de reclamações de consumidores. A atuação conjunta é especialmente importante nos casos relacionados a incidentes de segurança envolvendo dados pessoais de consumidores”, informou a Senacon.

O presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho Junior, lembrou que a entidade foi criada há apenas quatro meses e que o acordo será “um marco para o Brasil”, em prol do consumidor. “A ANDP não tem espírito punitivo, mas de educação e de mudança de cultura, para mostrar às empresas que o respeito aos dados do consumidor é muito importante”, disse, ao defender a inclusão de outras instituições nessa rede de proteção de dados.

SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO NO SETOR FINANCEIRO

A segurança da informação é uma das prioridades do setor bancário no Brasil. Segundo estimativa da Febraban, os bancos investem cerca de R$ 2 bilhões anualmente para fortalecer sistemas de tecnologia da informação voltados para segurança, valor que corresponde a cerca de 10% dos gastos totais do setor com tecnologia.

De olho nesse crescimento das tentativas de golpes digitais, as instituições reforçaram nos últimos meses as ações de conscientização digital contra fraudes. Uma das iniciativas foi a realização da Semana da Segurança Digital, liderada pela Febraban em parceria com 30 bancos associados, para divulgação de dicas de prevenção contra as principais fraudes e golpes digitais. Foram duas edições da Semana em 2020 e, neste ano, a primeira foi realizada em fevereiro.

Outra iniciativa relevante do setor é a criação do Laboratório de Segurança Cibernética, inaugurado pela Febraban em setembro de 2020, o primeiro do tipo feito para o Sistema Financeiro Nacional, e que integra equipes de vários bancos associados à instituição. O objetivo é unir forças em ações de prevenção, identificação e combate ao crime digital. A estrutura permite que as instituições financeiras melhorem a eficiência de compartilhamento de informações técnicas e promovam o treinamento e aperfeiçoamento de profissionais para atuar no combate às ameaças virtuais em ações colaborativas e integradas voltadas para proteção e solução de incidentes cibernéticos.

*Com informações da Agência Brasil.

 

Por: FEBRABAN – via Capital Informação – Assessoria de imprensa.

 

 

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