Com um faturamento estimado pela consultoria Cibersecurity Ventures em US$ 5,8 bilhões neste ano, o mercado brasileiro de cibersegurança vem crescendo a uma média anual próxima de 24%. Os números são robustos, confirma o CEO da Cipher, Paulo Bonucci: “A empresa cresceu 38% no ano passado e devemos continuar crescendo entre 15% e 17% ao ano. Esse crescimento foi mais acentuado nos últimos quatro anos”.

A explicação, segundo o executivo, é o fato de que a segurança cibernética ganhou relevância estratégica, sendo discutida inclusive nos conselhos. “O assunto já está nos ‘boards’ e nas agendas dos CIOS”, acrescenta. Como consequência, a Cipher ganhou clientes que decidiram ampliar seus investimentos em segurança, como Boticário e Kroton. “Ao mesmo tempo, há mais empresas precisando de certificações para atender regras de governança, risco e conformidade, como os associados da Iata”, explica. Segundo Bonucci, em pouco mais de um ano a equipe que atende serviços de governança passou de oito para 16 pessoas e ainda tem cinco vagas abertas.

A força do mercado aparece também em operações como a da UPX, fundada em 2002 como rede de distribuição de conteúdo, que de tanto ser atacada na web desenvolveu ferramentas para sua própria segurança, que passou a comercializar em 2012, aqui e nos EUA, conta o CEO, Bruno Prado. Segundo ele, a empresa cresce a taxas de até três dígitos. “Em 2016 nosso faturamento cresceu 122% e em 2017 perto de 70%. Este ano estamos esperando um crescimento da ordem de 100% ou superior”.
Prado atribui esse comportamento a uma evolução do mercado brasileiro, especialmente após o ataque do malware WannaCry, em 12 de maio de 2017. A empresa é familiar, está se profissionalizando, e com os negócios em efervescência o CEO da UPX não descarta abertura de capital a partir de 2020.

A PSafe é outra startup que registra crescimento semelhante no faturamento, revela o CEO, Marco DeMello. “Em 2017 dobramos nossa receita em relação a 2016 e para este ano a expectativa é a mesma, ou seja, dobrar em relação a 2017”. Operando com produtos para usuários finais, a PSafe já conta com investidores externos, que em 2015 aportaram US$ 30 milhões em capital.

A empresa tem 20% de seus clientes fora do Brasil, proporção que pode chegar a 30% em 2019 segundo o CEO. Para favorecer esse crescimento, hoje a PSafe já tem uma filial na Califórnia. “É possível que em 2019 ou 2020 possamos operar também na Europa.”

No caso da Bluepex, empresa brasileira que começou a operar em 1989 desenvolvendo um antivírus, os investidores também estão se aproximando, afirma Nilton de Souza, diretor de negócios. Um dos atrativos é o fato de ela estar na lista das “Empresas Estratégicas de Defesa” do Ministério da Defesa, já que fornece o antivírus utilizado pelo Exército. “Para este ano, estamos esperando crescer pelo menos 50% no número de contratos, e outro tanto no faturamento.” No ano passado, o faturamento cresceu entre 20 e 25% diz Souza.

Com uma equipe enxuta, mas uma rede de parceiros e canais com 200 pontos espalhados pelo país, ele conta que a Bluepex está preparando uma expansão que elevará o número de funcionários de 30 para 40 e incluirá a abertura de novas filiais.

Com foco também em defesa, a Stefanini Rafael tem expectativas altas para os negócios neste ano, afirma o diretor da empresa, Longinus Timochenco: “A empresa vem investindo forte nessa vertical de cibersegurança. E os estudos indicam que o cenário de cibersegurança é cada vez mais estratégico para os negócios”. A empresa é uma parceria anunciada em abril de 2016 da Stefanini com a israelense Rafael, para fornecimento de serviços de segurança cibernética e inteligência.

“Nossa estratégia não é agir nos incidentes, mas na prevenção, na inteligência”, diz Timochenco. A segurança é voltada para todas as facetas de TI, diz o diretor: usuários, dispositivos, sistemas, aplicações, informações (físicas ou digitais) e infraestrutura. Como complemento, acrescenta, a Stefanini Rafael faz também perícias (forensics na expressão em inglês) em incidentes de segurança digital.

Por Paulo Brito
Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/5464667/seguranca-cibernetica-movimenta-us-58-bi-no-brasil